Analise de League of Legends: Wild Rift




Depois de jogar League of Legends por, sei lá, nove anos (?) me deparei na manhã do último sábado olhando para a tela do meu celular me perguntando: “Por que eu jogo LoL há tanto tempo?

É sério. League of Legends é literalmente o jogo que mais joguei na vida. Nenhum outro jogo consumiu tanto do meu tempo (e do meu dinheiro) quanto a arena de batalha da Riot. E muito disso se deve tanto à jogabilidade refinada à exaustão, quanto ao carisma dos personagens, campeonatos e até mesmo a comunidade apaixonada.

Mas antes de continuar com o review, preciso dizer algo para os LoLzeiros de plantão: tem coisas que vou simplificar para apresentar o game para quem não conhece o vasto universo de League of Legends. Fica frio. Continue lendo e logo vai perceber que as suas dúvidas também serão respondidas.

Tive a oportunidade de testar Wild Rift antes do jogo chegar na Google Play Store e na App Store neste dia 29 de março. Trazer o Moba para o mundo dos jogos mobile é um marco e tanto para a Riot Games: Wild Rift é seu terceiro jogo lançado em menos de um ano – para uma empresa que ficou tantos anos se apoiando no sucesso de apenas um jogo parece algo surreal.

Para bem e para o mau, o "LoL mobile" é exatamente aquilo que você imagina: uma transposição quase idêntica do LoL de PC, só que em versão de bolso. Para quem não conhece, League é um jogo de arena no qual dois times se enfrentam para derrubar a base inimiga em um game no estilo cabo de guerra. As partidas são recheadas de pormenores que podem fazer com que seu time vença ou seja derrotado.


Cada jogador controla um personagem que tem uma posição específica dentro do mapa: topo, selva, meio, inferior e suporte. Os personagens vão ganhando níveis de experiência para conseguir novas habilidades ou fortalecê-las. Com essas habilidades você vai enfrentar os outros jogadores, monstros e tropas (soldados do time adversário que chegam na sua rota de tempos em tempos). Ao derrotar seus inimigos, o jogador consegue dinheiro para comprar itens e ficar ainda mais forte. Quanto mais forte, mais rápido você vai eliminar os adversários e as defesas da base para assim, ver a tela de vitória quando o nexus for derrubado.

Pode parecer que simplifiquei demais, mas no frigir dos ovos, LoL é isso mesmo. O que muda é o que vem à partir daí: cada campeão com seus diferentes poderes, as habilidades do jogador adversário e o trabalho em equipe para agir em conjunto e vencer a partida. Esses são os elementos básicos que fazem de League of Legends um jogo de sucesso há 10 anos e também criou um esporte eletrônico que emociona milhões de pessoas ao redor do mundo.

Em seu lançamento Wild Rift conta com mais de 50 personagens e ainda nesse ano mais um punhado vai aparecer nas telinhas dos celulares. Assim como no PC, Wild Rift é aquele tipo de jogo que está sempre em desenvolvimento e balanceamento. Hoje seu campeão favorito pode ser o mais forte de todos, amanhã ele pode se tornar um saco de lixo. É o preço que se paga ao se ter uma quantidade tão grande de personagens disponíveis e o ritmo de atualização constante que o jogo receberá, com ajustes acontecendo a cada 15 dias.

Todos os 50 personagens vieram direto da versão de PC de League of Legends, não existe nenhum personagem exclusivo para a versão mobile. Todos tiveram que passar por ajustes em suas habilidades para se encaixar melhor no estilo de controle de toques da tela do celular e isso é ótimo.

Atualmente Wild Rift conta com modos contra PVP ou cooperativo contra IA, e também oferece modos de treinamento e de testes de campeões – inclusive daqueles que você ainda não habilitou. A galera casual também pode comemorar, pois a Riot prometeu trazer o modo ARAM (personagens aleatórios e apenas uma rota) num futuro próximo.

Para levar essas minúcias às telas de celulares a Riot trouxe a fatídica alavanca virtual no lado esquerdo (que sempre escorrega para quem tem as mãos grandes) e botões de ação no lado direito.

Jogando LoL no celular


Aqui é necessário ter um bocado de atenção devido à enorme quantidade de ações que podem ser feitas: um botão de ataque básico, um botão para atacar tropas, outro para atacar a torre, além dos quatro botões para as habilidades, ainda tem um botão para colocar sentinelas, outro para dar avisos de perigo, botões para silenciar o chat e outro para ativar o microfone. Pensou que acabou? A tela de jogo ainda conta com um botão para comprar itens (que só pode ser usado na base), o mini-mapa e até mesmo a janela de chat para conversar com amigos por texto.

Falando assim, parece que a tela é abarrotada com botões... E é mesmo. Eu pensei que a Riot conseguiria pensar em um design de jogo no qual o jogador conseguisse ver mais do belo visual, mas eu estava enganado.

Apesar disso, a desenvolvedora conseguiu fazer com que tudo fique organizado na tela e não atrapalhe tanto a visão do jogador. Para quem já jogou outros MOBAs nos celulares, não é algo lá muito novo, afinal, Mobile Legends e Arena of Valor já fizeram isso antes. A diferença aqui é que a Riot conseguiu fazer tudo isso e manter a identidade visual do LoL.












Algumas mecânicas são interessantes e foram traduzidas muito bem para os celulares, como o clicar e arrastar para disparar uma habilidade ou travar a mira para que os ataques normais sejam mais ofensivos. Os botões dedicados para tropas e torres são importantíssimos para aqueles momentos de investidas contra campeões em baixo da torre.

Para quem já é acostumado com Summoner’s Rift, vai notar que o mapa está menor apesar de manter os mesmos elementos, monstros e buffs. Mas algo que pode te deixar meio bugado é que quando você joga no lado vermelho, a rota inferior é na verdade no lado de cima do mapa. Isso se deve pelo fato do jogo ser espelhado para que você sempre jogue avançando para a parte direita da tela.

As partidas duram de 15 minutos a 20 minutos, porém as primeiras partidas vão demorar um pouco mais para que você – e seu time – entenda o que precisa ser feito para derrubar o Nexus adversário. Aliado a tudo isso, o jogo está muito bonito e dá para ver muitos detalhes nas telas de 5 polegadas ou mais.

Tenho que fazer um grande elogio para a Riot na questão de adaptação da tela de seleção de campeões que ficou muito mais bonita do que no PC. Após escolher seu personagem você é levado para a tela de seleção de runas (uma mecânica que faz ajustes em atributos iniciais dos personagens) e, quando tudo estiver pronto, você pode ver a formação do seu time com os modelos 3D. Eu realmente queria que essa tela de seleção aparecesse no PC.

Tenho que ser honesto e verdadeiro, sou privilegiado por ter um celular ponta de linha e sei que meu aparelho é fora da curva e tem recursos muito acima do mínimo, com direito até a uma tela de 120hz. Nesse aparelho seria impossível que Wild Rift engasgar ou apresentar algum problema de desempenho.

Vai rodar no meu celular?


Os requisitos mínimos são bastante modestos. Para os Apple Lovers basta saber que se você tem um iPhone 6 com iOS 10 ou acima, pode ter certeza que o game vai rodar no seu celular. Já os donos do Android vão sofrer um pouco mais, pois precisam olhar as configurações mínimas: versão 5.0 ou superior instalada, 2GB de memória RAM, um processador Quad-core de 1,5 GHz de 32 ou 64 bits, e placa de vídeo Mali-T860.

Em uma busca encontrei mais de 300 modelos de aparelhos compatíveis como Samsung Galaxy S5 (lançado em 2014), J3 (2016) e J2 Pro (2018), o Motorola G4 Play (2016), o LG K30 (2018) e o Xiaomi Mi 4 (2014). Para facilitar siga a seguinte lógica: se o jogo não aparecer no Google Play Store, seu celular não é compatível.

Já que estou falando sobre a parte técnica, a Riot diz que o jogo vai ter em média 120 milissegundos de ping e que a latência máxima não deverá exceder 180 ms. Honestamente, em meus testes o ping girou na média de 30 ms usando uma rede Wi-Fi, na rede 4G o ping chegou a 90 ms. Pode ser que muito disso se deve pela quantidade diminuta de pessoas que estão testando o game antes do lançamento. Então fique esperto pois, nesse sentido, a experiência de jogo de Wild Rift não vai ser tão fluida quanto LoL é no PC.

Eu até poderia dizer que a Riot teve o melhor timing para trazer League of Legends aos celulares. Seu modelo de negócios, baseado exclusivamente em venda de itens cosméticos, é incrivelmente raro no mundo dos games mobile.

Segundo o instituto de pesquisa “Vozes na Minha Cabeça”, 99% dos games mobile têm algum tipo de pegadinha para fazer com que o jogador se sinta compelido a gastar uma grana seja para conseguir mais vantagens, tempo de jogo ou para abrir uma loot box no sonho de descolar um personagem poderosíssimo. Ou seja, se você não puder gastar dinheiro, não vai ficar de fora.

Preciso dizer que fiquei muito feliz em ver que Wild Rift não poluiu a sua tela inicial com milhares de itens e pacotes à venda. Quem joga no celular sabe a falta de cuidado que a maioria das desenvolvedoras têm justamente na tela de boas-vindas. Comparado com WRCavaleiros do Zodíaco: Awekening ou Epic Seven mais parecem ser versões do Wix em forma de jogo.

Monetização saudável para o jogador


Wild Rift também se diferencia pela quantidade de moedas, existem apenas três: Ciscos Azuis (que servem para liberar personagens), Wild Cores (para comprar qualquer coisa dentro do jogo, mas principalmente elementos cosméticos) e Moedas Poro (que habilitam outros cosméticos, como dancinhas de retornos e emotes). Nessas só os Wild Cores estão à venda, as outras duas você ganha apenas jogando.

Cada personagem custa 5.500 Ciscos Azuis, a moeda que é concedida ao final de cada partida. Pelos meus cálculos, você vai precisar jogar de 15 a 20 partidas para conseguir juntar a quantidade para liberar um novo campeão. E é isso o que você precisa ter em mente: todos os personagens podem ser conseguidos apenas jogando. Vai levar muito tempo para ter todos, mas dá. E sendo bem honesto:  você não precisa ter todos os personagens. Basta ter os que você gosta.

A Riot promete trazer dezenas de personagens para Wild Rift ainda esse ano. Levando em consideração que a versão de PC conta com mais de 150 campeões, LoL mobile poderia ser um gatcha que rivalizaria em pé de igualdade com Summoners WarsGenshin Impact ou Fire Emblem Heroes.

Por sorte a Riot não quer ganhar dinheiro com personagens, você pode até comprá-los usando dinheiro real, mas não é essa a fonte direta de monetização – não caia nessa tentação, você vai ter muita chance de gastar seu rico dinheirinho com skins, emotes, ornamentos ou emblemas. E se não tiver dinheiro para gastar, não tem problema, Wild Rift não vai deixa-lo de fora da brincadeira pois o game vai dar algumas skins para quem está iniciando no jogo.

Após jogar Wild Rift sinto que a Riot trabalhou em um jogo para durar por muitos anos. A impressão é que a desenvolvedora norte-americana não se dobrou às práticas comuns dos jogos mobile e isso, por si só, é algo a ser enaltecido.

No fim das contas a experiência de jogar Wild Rift é gratificante – desde que você vença, é claro. Ainda tenho minhas restrições com a quantidade de informação e de botões que estão disponíveis em uma tela de 5 polegadas. Mas é inegável que o fã de League of Legends vai adorar jogar Wild Rift e arrisco a dizer que mais pessoas que nunca tiveram contato com LoL antes vão encontrar um novo jogo para se tornar fã – ou até virar um proplayer.




9.0

Nota Recebida.



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