Analise de Cyberpunk 2077




Era fim de tarde em Night City quando V costurava por entre os carros com sua moto vermelha para fugir do trânsito da região central. Seu destino era um hotel decrépito no distrito industrial de Santo Domingo, onde encontraria um homem que precisava dos serviços de um assassino de aluguel.

No rádio da moto, o noticiário informava sobre um massacre em um dos shoppings da cidade, onde um jovem sofrendo de ciberpsicose havia acabado de abrir fogo contra dezenas de visitantes. O estabelecimento informou que abriria novamente dentro de uma hora, e oferecia condolências – assim como um desconto de 50% em compras – para as famílias das vítimas.

Troquei de estação para a 30 Principales (106.9 no dial), uma rádio especializada em reggaeton que tocava a faixa "Dinero", da banda 7 Facas. Enquanto cantarolava o refrão da música em voz alta, lembrei-me de um serviço que estava devendo para a gangue Valentinos. E foi aí que me dei conta que, para todos os efeitos, Cyberpunk 2077 já havia feito de mim um verdadeiro cidadão de Night City.

Ainda que estampe o nome do gênero em seu título, o RPG de mesa Cyberpunk, criado por Mike Pondsmith e lançado em 1988, não inaugurou a temática cyberpunk. Anos antes, obras icônicas como o filme Blade Runner (1982), do diretor Ridley Scott, o mangá Akira (1982), de Katsuhiro Otomo, e o livro Neuromancer (1984), de William Gibson, – além de outros trabalhos ainda mais antigos dos anos 1960 e 1970 – já haviam estabelecido as bases da estética e das ideias por trás desse estilo.

Retratando mundos distópicos nos quais mega corporações dominam cada aspecto da vida cotidiana, estas obras exploram sociedades futuristas marcadas pela violência, pela corrupção e pelo colapso de instituições, e que podem ser definidas pela máxima do gênero: “alta tecnologia, baixa qualidade de vida”. Em comum, todas também convidam a audiência a refletir sobre os efeitos negativos do rápido avanço tecnológico, fazendo oposição ao otimismo que marcou boa parte das obras de ficção científica até então.

O cyberpunk de Pondsmith, no entanto, foi além. Por conta da natureza interpretativa de um RPG de mesa, o jogo dá ênfase à atitude dos personagens. Seja você um trilha-redes marginal, seja um capacho corporativo ou até um roqueiro terrorista, o mais importante é fazer um nome para si mesmo – e fazer isso do jeito mais estiloso possível.

Um dos maiores méritos da CD Projekt Red é ter transportado esse aspecto da obra de Pondsmith com excelência para dentro de um jogo de mundo aberto. Repleto de personagens carismáticos, narrativas envolventes, escolhas e com um visual extraordinário, Cyberpunk 2077 é um universo distópico cheio de estilo e atitude, e uma das experiências mais imersivas da geração – ainda que não seja sem alguns tropeços no caminho.

Bem-vindo à Night City

A essa altura, a ambientação e narrativa de Cyberpunk 2077 não são nenhum segredo. Ainda assim, vale a recapitulação: o jogo se passa Night City, metrópole multicultural que é um dos maiores centros urbanos da América do Norte e principal cidade do estado livre da Califórnia do Norte no ano de – veja você – 2077.

Dominada pela megacorporação Arasaka e mais um punhado de outras empresas que competem economicamente – e, ocasionalmente, militarmente –, Night City é, no geral, um lugar péssimo para se viver. A cidade é onde a liberdade só existe para aqueles com poder e dinheiro, onde gangues disputam por influência à luz do dia, e onde a corrupção e cenas de violência são tão comuns quanto máquinas de burritos e outdoors de publicitários.

Mas Night City também é a cidade das oportunidades, e o local para o qual qualquer um que deseje ser alguém na vida deve ir. É aí que entra V, protagonista customizável do jogo. A ênfase de Cyberpunk 2077 na liberdade de estilo e individualidade vem logo ao início, quando o jogador é recebido com um impressionante editor com 36 opções de customização de personagem. 

Nele você escolhe todos os atributos físicos do personagem, do gênero e estilo de cabelo de V, até suas tatuagens, visual de implantes e o tamanho da genitália. Mas também é aí que deve selecionar uma de três origens para V: Corpe, um funcionário de uma das mega corporações da cidade; Marginal, um integrante submundo de Night City; ou Nômade, habitante das Terras Baldias ao redor da cidade que se mudou para a metrópole.

A origem do personagem é algo que permeia toda a experiência do jogador e que lembra bastante o sistema de clãs do icônico Vampire: The Masquerade – Bloodlines, influenciando as relações com alguns NPCs e disponibilizando opções extras de diálogo. A origem impacta também o início da campanha e como V é apresentado ao simpático Jackie Welles.

De origem nômade, minha personagem começa sua história em uma missão que envolvia atravessar uma carga contrabandeada inusitada para dentro de Night City. A ideia, é lógico, não sai exatamente como a dupla pensava. O plano frustrado é o primeiro contato de V com o mundo dos mercenários de Night City e estabelece a relação da personagem com Welles, que vira seu principal “tchumba” na cidade.

Ex-filiado aos Valentinos, o personagem vem a ser pivô do enredo principal de Cyberpunk: é por conta de um contrato cavado por Welles que V acaba com um biochip experimental alojado em sua cabeça, contendo nada menos que o construto virtual de Johnny Silverhand, o lendário roqueiro terrorista de Night City que é interpretado por Keanu Reeves. Tirá-lo de lá passa a ser a prioridade de V, e desencadeia os eventos que levam à sua ascensão na sociedade dos mercenários da metrópole.

Cyberpunk 2077 é ágil em disponibilizar todo o seu mundo aberto ao jogador. Depois de uma sequência de introdução relativamente rápida em que apenas o distrito de Watson está disponível, todas as regiões são liberadas e podem ser exploradas livremente. A partir daí, a experiência lembra bastante a de jogos da série Grand Theft Auto, em que o jogador pode se deslocar como quiser por entre regiões da cidade, enquanto entra em contato com diferentes figuras da vida política, corporativa e do submundo da cidade.



A maior parte dos contatos é feita através de uma espécie de “celular” de V, que permite que o jogador chame e receba vídeo ligações e mensagens de NPCs. É um sistema orgânico que se integra bem ao gameplay e à narrativa – a sensação de atender a uma ligação causal de um dos chefes mafiosos da cidade com um novo contrato enquanto se dirige pelas ruas de Night City é ótima –, mas que às vezes atropela a si mesmo.

Não foram poucas as vezes em que recebi ligações de NPCs bem no meio de uma conversa ao vivo com outro personagem, resultando em falas sendo reproduzidas uma em cima da outra – algo bem frustrante em um jogo no qual as escolhas de diálogo determinam o resultado das missões.

Falando sobre as missões, aliás, Cyberpunk 2077 é extremamente competente em entregar uma sequência diversa de tarefas e objetivos ao jogador, tanto em sua campanha principal quanto em sidequests e em serviços avulsos. A CD Projekt soube utilizar bem a riqueza de possibilidades do mundo distópico de Cyberpunk para entregar missões complexas e que frequentemente envolvem decisões difíceis.

Como seria de se esperar, boa parte delas  é motivada por BOs envolvendo algum tipo de tecnologia futurista. Isso vai desde reunir múltiplas personalidades de uma inteligência artificial fragmentada até encontrar um jovem desaparecido investigando as memórias de seu sequestrador.

Mas as quests também abordam com frequência dramas humanos de forma profunda. Um dos meus arcos favoritos da história envolve uma disputa de liderança em um dos clãs nômades do jogo – um conflito de poder que poderia acontecer em qualquer lugar, perto ou longe de tecnologias futuristas.

Mais importante que isso, no entanto, é o sucesso de Cyberpunk em costurar diferentes arcos narrativos uns com os outros, criando um sistema de causa e efeito interessante, em que uma decisão que tomamos em uma missão no começo do jogo pode se desdobrar em um evento inusitado dezenas de horas depois.

Comparando minha experiência de jogo com a de outro colega jornalista, comprovamos que nossas abordagens diferentes em uma das tarefas iniciais da campanha, envolvendo a gangue Maelstorm, resultaram em uma missão com estruturas e personagens bem diferentes mais para frente – ainda que o objetivo fosse basicamente o mesmo. É um modelo que lembra o da série Mass Effect, mas com mais variação de possibilidades e sem o peso “moral” que as decisões de Shepard tinham.

Aproveitando o ensejo de Mass Effect: Cyberpunk 2077 também é uma obra com um elenco extenso e diverso de NPCs, e eles são essenciais para dar vida ao universo de Night City. Há figuras que você vai odiar de cara e querer agredir instantaneamente – e há casos em que essa é uma possibilidade real –, mas a grande maioria dos personagens é extremamente cativante e envolvente, capazes de fazer o jogador ficar genuinamente preocupado com seu bem-estar e com os efeitos de suas decisões nas vidas destes compilados código em forma de gente.



Isso sem contar a própria Night City, uma ambientação tão complexa que chega a ser uma personagem do jogo por si só. A CD Projekt fez um trabalho excelente na criação da megalópole de Cyberpunk 2077, com bairros e regiões diversas e um mundo vibrante que ajuda a prender o jogador na experiência proposta pelo jogo.

Night City é um centro urbano agitado, repleto de personagens andando por suas ruas e mercados, trânsito pesado, megaconstruções emaranhadas entre plataformas e viadutos suspensos, e regiões com personalidade e características próprias. Em pouco tempo, o jogador deixa de se sentir um turista na cidade, sem saber onde está e como diabos chegar no lugar que está procurando, para virar um verdadeiro habitante de Night City – capaz de identificar distritos só pelo visual e de chegar em pontos de interesse sem precisar olhar no mapa.

Sem falar que ela também é um verdadeiro espetáculo visual! Apesar de contar com um sistema robusto de pontos de viagem rápida espalhados pelo mapa, eu frequentemente preferi pilotar minha moto de um ponto a outro da cidade para aproveitar os cenários da metrópole e descobrir coisas novas e inusitadas no caminho – além, é claro, de curtir as excelentes seleções musicais presentes nas rádios.

Há muito para se explorar na cidade: além das missões que o jogador recebe pelo celular, crime ocorre e muito acontece feijoada nas ruas de Night City. Tiroteios e assaltos são frequentes em suas ruas, e jogadores podem interceder para receber uma recompensa do departamento de polícia da cidade. Há também múltiplas lojas de roupas espalhadas pelo mapa, onde o jogador pode customizar o visual de V como quiser. Isso sem contar os easter eggs.



Toda a imersão proposta por Night City também comprova como a decisão da CD Projekt de focar em uma experiência em primeira pessoa foi acertada. Observar o mundo através dos olhos de V permite ao jogador não só desenvolver uma relação mais íntima com a cidade e com seus personagens, mas o torna um observador direto da narrativa. Não alguém vendo tudo “de fora”.

Parece algo subjetivo, mas dá mais peso à ideia de que todas as decisões dentro do jogo são, de fato, suas. E isso, novamente, se amarra com os conceitos propostos por Pondsmith em seu RPG de mesa.

Mas se você for do time que gostaria de poder ver seu protagonista estiloso com mais frequência, não se preocupe: o que não faltam são oportunidades de ver V em terceira pessoa dentro do jogo. Seja ao subir em uma moto ou entrar em um carro, em espelhos espalhados pelo mundo de Cyberpunk ou, literalmente a qualquer momento, simplesmente apertando um botão para abrir o menu de personagem.

Dito isso, Cyberpunk 2077 não é um mero espetáculo contemplativo. Por mais que a narrativa e visual do jogo sejam parte importante da experiência, boa parte da trama envolve o que se esperaria de um RPG de ação em uma distopia futurista: tiro, porrada e bomba. E é aí que entram os complexos sistemas de jogabilidade e combate do título.

Um RPG sem reservas


Cyberpunk 2077 não esconde que é uma adaptação direta para videogames de uma obra originalmente pensada como um RPG de mesa – e isso se reflete diretamente em sua jogabilidade. Logo de cara, o título da CD Projekt chama a atenção pela quantidade impressionante de diferentes sistemas e subsistemas envolvidos em seu gameplay.

No nível mais básico, o game usa cinco atributos de personagem – “corpo”, “reflexos”, “habilidade técnica”, “moral” e “inteligência” –, que influenciam as capacidades de V em lidar com outros personagens e com os cenários em situações sociais, de exploração e de combate.

Uma pontuação alta em “corpo”, por exemplo, aumenta o HP e dano físico de V, permitindo que a personagem abra algumas portas à força enquanto estiver navegando por cenários de Night City. Se você investir em uma “inteligência” alta, por sua vez, poderá interagir com mais sistemas eletrônicos e terá novas opções de diálogo quando o assunto envolver trilha-redes e elementos da cultura hacker.

Além dos atributos, há um sistema de habilidades passivas e ativas que podem ser compradas em doze árvores de habilidades independentes. É através delas que você vai determinar boa parte das capacidades de combate de seu protagonista. Quer resolver tudo na bala? Invista na perícia com armas de fogo e habilidades de dano crítico. Prefere fritar adversários usando suas capacidades hacker? A árvore de habilidades de trilha-rede são sua escolha.

Juntos, os atributos e as habilidades são as mecânicas centrais que permitem que cada jogador experimente Cyberpunk 2077 da forma como preferir, mas um elemento do jogo que reforça o aspecto de estilo e atitude que são tão importantes na obra original de Pondsmith.

As escolhas e subsistemas não param por aí, no entanto. Ao melhor estilo looter-shooter, Cyberpunk também traz um sistema de raridade e atributos para seus armamentos e equipamentos. Além de variar no dano, algumas armas trazem a capacidade de ricochetear balas, de disparos venenosos ou de tiros carregados de energia, por exemplo.

Não se esqueça também de investir em um bom ciberdeque, sistema que é capaz de equipar diferentes habilidades necessárias para hackear inimigos e dispositivos tecnológicos – incluindo câmeras – dentro e fora de combate.


E já que falamos em dispositivos tecnológicos, é essencial visitar seu medicânico com frequência, já que é com eles que você poderá comprar implantes cibernéticos que trazem capacidades sobrehumanas para V – de um simples pulo duplo, às terríveis lâminas louva-deus ou um lança-míssil acoplado ao braço da personagem.

O lado positivo dessa abundância de sistemas é, novamente, a liberdade total de customização que o jogador tem para trilhar o caminho que quiser com dentro de Cyberpunk. Há, no entanto, um lado negativo: a sensação de fadiga de decisão que pode se abater sob jogador por conta da quantidade de coisas em que precisamos prestar atenção todo o tempo.

Um dos efeitos práticos disso é o sistema de criação e melhorias de itens que existe no jogo, que se mostrou completamente redundante para a minha experiência. Como estava conquistando armas e equipamentos superiores a todo tempo através de missões da campanha, o sistema virou pouco mais que uma aba extra no menu de personagem a ser ignorada enquanto eu focava em outras coisas.

Aliás, o design de menus de Cyberpunk não colabora em nada para simplificar a experiência de lidar com tantos sistemas de jogo – em especial quanto à quantidade de informações exibidas de uma só vez e à falta de atalhos. Isso gera situações particularmente frustrantes durante o combate.

Se uso uma faca para eliminar um inimigo silenciosamente, por exemplo, preciso acessar o menu de itens e equipar uma nova faca antes de eliminar o próximo. O mesmo vale para habilidades do ciberdeque: se quero modificar um dos hacks rápidos que tenho à disposição, preciso fazê-lo manualmente através de uma página escondida dentro de Inventário > Ciberdeque.

Isso não é algo que quebra a experiência de Cyberpunk 2077, e não seria um problema se o novo RPG da CD Projekt Red tivesse um combate em turnos, por exemplo. Mas com seu combate em tempo real em primeira pessoa, a sensação é de um atrito desnecessário que desacelera o fluxo da ação e prejudica a imersão em alguns momentos.

O combate de Cyberpunk, aliás, também flutua entre o extremamente satisfatório e o irritante. Algumas das partes do jogo em que mais me diverti foram nas sequências bem executadas de hackeamento e furtividade, em que usei as habilidades que escolhi para minha personagem para limpar o cenário sem que os inimigos tivessem a menor ideia do que estava acontecendo.

No entanto, quando um movimento em falso alertava todos na área, a sensação é de uma inteligência artificial que não sabe exatamente o que fazer durante as lutas: de adversários que ficavam literalmente parados, olhando para mim sem atirar, a inimigos presos em estado de alerta em um sala diferente da qual eu estava.

Pane no sistema


Os inimigos completamente perdidos durante o combate são só mais um sintoma de um problema que pareceu crônico nas mais de 80 horas que tive com Cyberpunk em mãos: os bugs. Bugs, é claro, não são nenhuma surpresa em jogos da escala ou do escopo de Cyberpunk 2077, e também costumam ser resolvidos ao longo do tempo. O próprio The Witcher 3: Wild Hunt, é hoje um jogo completamente diferente – e muito mais estável – do que era em seu lançamento.

Mesmo assim, chama a atenção a quantidade de experiências pontuais negativas que enfrentei ao longo da campanha, e que surpreenderam por ainda estarem presentes em um jogo que teve múltiplos adiamentos e que sujeitou seus desenvolvedores a períodos de crunch durante a produção.

De armas que ficam flutuando no ar após um inimigo ser eliminado até animações faltando em momentos críticos da campanha – nada mais desagradável que ver um NPC flutuando com os braços abertos no meio de uma cena trágica –, Cyberpunk 2077 deu sinais de que ainda precisa de muito polimento em vários momentos do jogo.

Durante o período de review, a CD Projekt disponibilizou um patch pesado de atualização que resolveu boa parte dos problemas visuais mais frequentes do jogo. Ainda assim, experimentei alguns crashes e até mesmo um episódio que impossibilitou o progresso na campanha – um NPC com quem precisava conversar simplesmente sumiu do mapa, impedindo que cumprisse meu objetivo.

É sabido que o jogo receberá mais um patch logo em seu lançamento, mas não há como negar que a presença de bugs é considerável neste momento.

Vale ressaltar, no entanto, que os problemas com bugs não significam problemas de performance: apesar do setup relativamente datado da minha máquina (CPU AMD Ryzen 5 1400, GPU AMD Radeon RX 570 e 16 GB de RAM), o jogo rodou com tranquilidade na predefinição alta, e quedas perceptíveis na taxa de FPS só aconteceram nos trechos de pilotagem em alta velocidade.

Para brasileiros, vale destacar, no entanto, o bravo empenho da CD Projekt Red para trazer a experiência de Cyberpunk 2077 completamente dublada e localizada para o português do Brasil. Isso é especialmente importante já que Cyberpunk lida com um mundo repleto de neologismos importados do inglês.

Ao virar a chavinha, no entanto, “netrunners” passam a ser “trilha-redes”; “Soulkiller” vira “Psicófago”; e “ripperdocs” são “medicânicos”, o que aproxima a realidade e estética cyberpunk do nosso idioma.

Também é notável o cuidado do jogo em tentar adaptar diferentes sotaques de personagens do jogo com gírias e expressões tipicamente brasileiras. A ideia nem sempre dá certo, é verdade – Jackie, por exemplo, fala com um portunhol que atira para todos os lados e que beira o constrangedor em alguns momentos. Mas o esforço, no geral, é positivo.

Para fãs da temática cyberpunk e para entusiastas de RPGs de ação em mundo aberto, Cyberpunk 2077 é o pacote completo. O título é um novo atestado da competência da CD Projekt para o desenvolvimento de experiências singleplayer imersivas, e envolve o jogador com uma narrativa complexa e provocante, personagens carismáticos e um mundo vibrante e vivo. Tudo isso, é claro, é aliado a uma série de sistemas que não seguram o usuário pela mão, e que dão as ferramentas que permitem que cada um escreva a história que quiser para V.

O que Cyberpunk não é, é revolucionário. Ainda que seja mais ambicioso e mais denso, muito do que vemos no jogo é o refinamento das ideias e da execução do que a produtora já havia apresentado em The Witcher 3. A narrativa multifacetada já estava lá, assim como a ideia de ações e consequências por parte do jogador.

Isso, é claro, não é nenhum problema. Foi The Witcher 3 que gabaritou a CD Projekt para emplacar um projeto como de Cyberpunk 2077. E o novo jogo, desta vez, mostra que a produtora polonesa ainda é capaz de além do que já fez no passado.

Apesar do intensivão que tive com Cyberpunk em mãos, com dezenas de horas jogadas em um curto período de tempo, sinto que ainda estou só no começo da exploração de Night City. A vontade que fica é de continuar investigando cada beco decrépito, mercado noturno e NPC desconhecido por mais dezenas e dezenas de horas para descobrir quais segredos deixei passar ao longo de minha primeira travessia.

Um novo V, uma nova origem, novo estilo e nova atitude, e ser, novamente, bem-vindo à Night City.




9.1

Nota Recebida.



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